A última nuvem (parte 1) (3 de 3 - Fim de Temporada)

Gente, sinto muito ter demorado tanto para postar a continuação, mas é que a escola está matando todos... Malditos encarnados! auhsauhsuha . Bom, aqui está a continuação, espero que gostem...

>> A última Nuvem : Parte 1

-SSHHHRIIIEEEEK!
Todos olharam instantaneamente para a sala dos móveis. Eles sabiam muito bem o que produzia esse som, embora não quisessem o ouvir exatamente agora.
-Paula, nós somos mais fortes que os outros, - Começou Paul. – Ficamos aqui e tentamos deter o demônio! Riley, Inna, May, Jennifer e Isa, vocês voltem de onde viemos e tentem descobrir como se abre aquela... Pedra.
-Certo! – Disse Inna, dirigindo-se a uma pequena passagem quase imperceptível ao lado da escada. – Vamos pessoal!
* * *
-CUIDADO! – Micka empurrou Tie com força quando o monstro lançou sua estranha teia na direção do garoto.
-BURNSTEIN, FAÇA ALGUMA COISA!
A aura negra avançou sem medo para o animal. Seu núcleo em forma de globo chocou-se contra o monstro, que se recolheu um pouco, e a fumaça que o cercava começou a cobrir a criatura como um casulo.
-Está dando certo? – Perguntou Mickaella, meio que para o vento.
Logo a aranha voltou a sua posição de ataque, batendo com força sua cabeça na sombra e fazendo-a parar do outro lado do salão. Burnstein, já em sua forma felina, parecia desacordado.
-Olhe! – Apontou Tie, embora não precisasse, para mostrar que o monstro dirigia-se para o gato nocauteado. – Ela vai matar Burnstein!
-Faça alguma coisa!
-Coruja...
A aura azul avançou rapidamente na direção dos dois animais, pondo-se entre ambos bem no momento que a aranha preparava suas presas. Em uma tentativa de ataque, a coruja começou a produzir sua luz azulada ofuscante, mas o monstro já esperava por isso. A aranha saltou, usando suas patas para se agarrar ao teto e ir em direção aos adolescentes, que começaram a bater desesperadamente na grande pedra que bloqueava a saída.
-NOS TIREM DAQUI! – Gritavam.
* * *
-SHRIIIIIEEEEEK!
O grande monstro saiu lentamente da sala dos móveis, quebrando uma parte da parede antiga que caiu no chão.
Paula se colocou em posição de ataque, mas permaneceu parada por muito mais tempo, enquanto Paul avançou contra o demônio, que esquivou facilmente.
-Mas que droga! – Gritou o garoto de olhos azuis meio segundo antes de bater em cheio contra a parede quebrada.
Paula não conseguia se mover. Seus músculos não a obedeciam. Ela parecia ter virado pedra...
-Sairrus, ataque!
Ao comando do homem desconhecido, o grande tigre branco avançou na direção do grande morcego, transformando-se em aura no meio do caminho. O que fez Paul e Paula terem de fechar os olhos por um instante.
Diferentemente de Sturk ou Burnstein, essa fazia a vista doer de tão clara que era. Era praticamente impossível encarar seu núcleo em forma de globo, já que o mesmo produzia uma magnífica luz branca e um pouco forte demais para olhos humanos.
A aura se chocou contra o peito peludo e esquelético do demônio, que foi arremessado com força para trás, voltando à grande sala dos móveis.
O som de muitas tábuas se quebrando foi o suficiente para fazer com que a consciência de Paula retornasse à vida. A garota observou o ambiente por rápidos e confusos três segundos, e então encarou a criatura caída no chão a poucos metros de distância. A garota percebeu que havia algo rondando o ar acima do monstro... Uma aura!
-Magia branca... – Sussurrou, com uma voz rouca, enquanto seus olhos conseguiam um vago tom avermelhado em seu núcleo.
-Paula... Paula... – Gritava Paul, enquanto se levantava lentamente e entre gemidos. Ele sabia muito bem o que estava acontecendo. – Essa não... Isso não é hora para se ter a primeira recaída...
-O que está havendo? – Perguntou o homem, dono do tigre branco.
-Se afaste! – Ordenou como resposta. – Esta tendo uma recaída. Isso é quando algum de seus sentimentos humanos se intensifica e toma conta de sua mente!
-E o que ela está prestes a sentir?
-ISSO! – rosnou a garota, dando uma volta em torno de si mesma com uma das pernas levantada. Essa acertou em cheio o rosto bronzeado do homem de jaqueta de couro preta, que secou o sangue escorrendo do canto de sua boca.
-O que essa louca...
-Ela não controla o que faz! – Advertia Paul, esquivando-se do segundo chute que, dessa vez, foi direcionado a ele. – Ela está respondendo aos seus novos instintos... E o principal deles é matar!
-Mas que ótimo! – Ironizou o homem.
Os trinta segundos que levaram na conversa os distraiu, e quando voltaram a si perceberam que o morcego tentava dilacerar o pobre tigre, que continuava a atingi-lo, ainda em seu formato de aura branca.
* * *
-BURNSTEIN! – Gritou Mickaella, desesperada, enquanto o ser gigante lançava suas estranhas teias para todo lado. Por sorte, nenhuma delas havia se enroscado nos jovens.
O gato, como aura, avançou rapidamente, chocando seu núcleo global na cabeça da aranha, que fez um som parecido com um gemido, mas então continuou avançando na direção dos adolescentes.
- CORUJA! AJUDE-NOS! FAÇA ALGUMA COISA! – Implorou Tie, enquanto empurrava Micka para um lado e se jogou para o outro no exato momento em que o monstro cravou os dentes na porta de pedra.
-ANDEM! – Micka correu para o outro canto da sala, enquanto Tie correu para o outro canto. Se fosse para morrer, pelo menos que confundissem a maldita aranha antes!
-ALGUÉM QUER ABRIR ESSA PORTA? – Gritava ele o mais alto que podia... Inútil! –Por favor...

-continua...





> O mesmo! ^^



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Episódio 15 (2 de 3 - Fim de temporada)

“Acorde com um sorriso, levante com um suspiro, desperte com um beijo.”

-O dia está tão lindo... – Disse, em um tom casual, enquanto encarava uma linda e grande árvore da lua. – Como estão seus hospedes hoje? – Eu me referia aos pequenos pássaros que construíam um ninho em um de seus galhos mais baixos.

-Querida, o lanche está pronto! – Gritou minha mãe, de nossa cozinha.

-Já estou indo! – Disse, e abri um imenso sorriso ao sentir o cheiro de seu famoso bolo de laranja. Bem, famoso pro meu estômago. – Bem... – Encarei mais uma vez o ser-vivo fixo bem na minha frente. – Tenho que ir!

Nesse instante, senti uma gota doce se chocar contra uma de minhas bochechas. Outro sorriso se abriu, e em meus olhos nasceu a ansiedade. Eu queria sentir aquela chuva. Abri os braços, e então o céu deixou que suas lágrimas tocassem o meu corpo.

No rádio, uma conhecida música do Michael Jackson parecia dançar conforme meus passos sob a chuva: “You are not alone ( Single version).”

Eu tinha a vida perfeita, e esse dia me comprovou isso. O tempo se acostumava aos meus desejos.

Gostaria tanto de voltar no tempo... Queria sentir aquelas lágrimas mais uma vez. Queria poder sorrir para minha árvore preferida, minha melhor e solitária amiga. Queria estar com minha família...

Como será que eles estão agora?

...2 meses depois...

-Espero que estejam bem... – Sussurrou Isa, enquanto encarava o gigante portador dos machados. Seus olhos não desviavam do espírito mercenário nem por um segundo sequer.

Do outro lado da jaula, Micka e Paul ainda tiravam dúvidas um do outro em questão aos últimos dias.

-Espíritos mercenários acreditam que a ausência do amor em suas vidas seja culpa de Deus, - Continuava o garoto loiro. – Por isso não suportam quando alguém começa a falar dele.

-Isso é horrível! Quer dizer... Não faz sentido.

-Tente explicar para ele! –Sorriu, apontando com o nariz para a criatura/vigia que ainda segurava firme um dos machados. O mais aterrorizante de todos.

Era um grande machado negro com algumas partes vermelhas. Queriam muito acreditar que o vermelho era tinta.

-Paul... Você já encontrou um amor?

O rapaz abaixou a cabeça e começou a rabiscar o chão com o dedo. Havia muito tempo que ninguém lhe perguntava nada parecido com isso. Embora fosse um encarnado, um coração ainda batia em seu peito. Muitas vezes, ele descumpriu as ordens de Marianne por mágoas passadas relacionadas ao amor. Mas, é claro, ele nunca contaria isso para ninguém.

-Eu prefiro acreditar que não... – Respondeu, enfim, encarando mais uma vez a garota que lhe causava certa sensação estranha.

Micka o abraçou, e um frio sobrenatural surgiu em ambos. As mãos femininas começavam a suar, enquanto as outras as apertava suavemente, e seus olhos finalmente se fecharam.

-Não ignore o que Deus lhe deu, só porque o homem lhe tirou! – Completou Mickaella.

Esta era uma experiência muito difícil. Ninguém mais agüentava ficar preso naquele inferno de jaula.

Paul suspirou.

* * *

-Isso não te interessa no momento! – Respondeu o homem, revirando seus olhos e voltando-os para seu grande mascote. – Sairrus, acabe com ela!

O Tigre expôs suas grandes presas em um rugido, e então, sem pensar duas vezes, a ação começou.

-NÃO! – Gritou May, assustada, enquanto as lágrimas escorriam freneticamente por seu rosto sujo. Ela quase enlouqueceu quando algumas gotas de sangue respingaram em sua roupa.

O animal estava fazendo um belo trabalho. Logo, não havia mais vida nenhuma naquele corpo arrebentado que ocupava espaço no antigo chão.

* * *

Um grito assustador preencheu a atmosfera. Occino, o gigante, estava caindo de joelhos no chão. Suas mãos e suas pernas estavam se desfazendo. Desaparecendo, literalmente. Logo abaixo dele,formava-se uma poça negra de sangue demoníaco.

-Para trás! – Ordenou Paul, ajudando Micka a se levantar e colocando-se a sua frente.

Logo só o que restava eram suas unhas, uma enorme calça rasgada, e diversos machados maiores do que qualquer um no grupo. Paul se aproximou de algumas grades, para ver um pouco melhor o que estava havendo.

-O que houve? – Perguntou Tie, enquanto sua coruja e Burnstein saiam com facilidade da jaula.

-Bem... A doida aracnídea não faz mais parte desse mundo! – Respondeu com um sorriso. – Ela, e seu amigo mercenário, estão literalmente mortos!

-Mortos?

-Sim, quero dizer exatamente isso! Estamos livres, vamos! Não podemos mais perder tempo!

-Ah... – Inna se encolheu ao lado de Paula e Tie assim que viu algo estranho perto do seu lado da jaula. – Na verdade, temos um novo problema!

Estava no canto de trás esquerdo: Muitas aranhas. Milhares dela. Estavam todas se amontoando, formando, aos poucos, um novo ser vivo. Onde elas subiam, nessa nova criatura, grudavam e formavam uma nova parte dela.

-Abra a jaula agora, Paul! – Disse Paula, ficando mais horrorizada do que antes. – Se continuarmos presos aqui não teremos nenhuma chance! Estamos sem espaço!

E então foi! Paul chutou a porta de grades bem no meio, fazendo ir parar longe.

-VAMOS! SEJA O QUE FOR, ESTÁ QUASE PRONTO!

Todos saíram correndo, feito desesperado. Passaram pela abertura de pedra assim que Paul e Paula trabalharam juntos para abri-lo. Em alguns segundos eles conseguiram sair do estranho salão. Haviam, de algum modo que ambos não haviam entendido, voltado para a entrada da mansão. A porta de pedra se refez e se fechou logo atrás deles, com um horrível estrondo.

-May! – Gritou Inna, e correu para abraçar a amiga que chorava. Ignorando completamente o tigre branco que rugia e o corpo sem vida no chão.

-Esperem! – Gritou Paula, chamando a atenção de todos. – Não estamos esquecendo nada?

-O que? – Inna desfez o abraço em um salto, ainda sendo possuída por uma tremedeira surreal.

Um frio percorreu a espinha de Paul.

-Onde estão Micka e Tie?

Todos se entreolharam.

-E Burnstein e aquela coruja também não estão aqui! – Completou Inna.

* * *

-SOCORRO! – Gritava Tie, enquanto batia inutilmente na grande pedra.

-NOS TIREM DAQUI. – Micka tentava, sem sucesso, prender as lágrimas que tentavam escapar de seus olhos.

Logo o novo ser havia ganhado, de fato, a vida. Era uma grande aranha azul e preta

Um pouco maior que Occino, e em sua cauda havia um enorme ferrão negro e reluzente que parecia ter sido polido para a ocasião. E suas presas... Bem, eles deveriam evitá-las a qualquer custo.

-O que vamos fazer? – Perguntou Micka, enquanto ela, Tie, e os mascotes, se viravam para encarar a aranha gigante.

-Rezar para que não tenham lhe feito um estômago!

Os dois animais se transformaram em dois globos de luz cercados por fumaça. Um negro, e outro azul.

-Temos que enrolar até alguém nos tirar daqui!

Micka Assentiu. Não tinha nada mais a se fazer.

-Vamos!

Depoimentos (J.Cast.): Espero que isso chegue até você...

As vezes, quando perdemos algo que é muito importante pra nós, nos esquecemos de que sempre resta uma parte imortal que marca pra sempre nossos corações, almas, e desejos. Quando vivemos, não ganhamos um manual de avisos ou instruções que nos prepare para o preço que viver nos custa. E mesmo que ganhássemos, de nada adiantaria.
Nunca estamos preparados para perder. Nunca estamos.
Perdas e lágrimas andam de mãos dadas, sempre invocando a saudade, afastando a felicidade. Preparadas sempre pra nos derrubar em nosso momento de maior fraqueza. Sempre nos apunhalando, não pelas costas, mas pelo sorriso. Ou a falta dele.
De qualquer forma, lágrimas não trazem o que perdemos de volta. Não, e isso é verdade. Mas elas trazem as lembranças. Trazem os sentimentos, as emoções, os olhares, os momentos. Elas nos fazem reviver com sua quentura indesejável e aconchegante.
Elas nos trazem os sonhos. E nos trazem os medos.
Mas a verdade não é o que o espelho me mostra. Você realmente não está ao nosso lado agora. Digo, Vocês não estão.
E tanta bobagem, não é mesmo? O fato de eu sentir ciúmes de você naquela época, por você passar mas tempo do que eu com a pessoa de quem eu achava que gostava. Ou gostava mesmo. E, hoje, eu queria poder sentir esse ciúme bobo de criança. Tive que saber pela televisão da sua partida. Sabia disso? Talvez por que eu estivesse afastado na época... Eu não sei. Mas eu sei de alguém que sente muito a sua falta. E por isso te escrevo agora. Não por mim, entendeu? Você sabe de quem eu estou falando! ;D Sempre vai saber, porque são suas lembranças. Eu acho que isso fica com você, não fica?
Talvez você só estivesse no lugar errado, na hora errada. De uma coisa eu sei, Deus sabe o que faz.
E sabe o que mais? Não acredito que tenha sido ele a fazer isso. Afinal de conta, ele nos deu o livre arbítrio não é mesmo? Não é culpa dele...
Faz tanto tempo, não é mesmo? Como você está? É muito diferente aí?
Bem, sinto que não posso ter essas respostas no momento... Mas um dia vamos nos ver, não é mesmo? Todos nós...
Enfim, vou deixar que descanse, okay? Tenha um infinito de luz e um tornado de amor. Abraços!!! ^^

Para todos aqueles que acham que eu não gosto de Deus!

Gente, vocês estão exagerando muito! Quem me conhece sabe muito bem que eu sou uma daquelas pessoas que reconhece uma mensagem subliminar de longe! Eu queria dizer que a coruja do Tie não é uma mensagem subliminar! Na verdade nada aqui é uma mensagem subliminar!
Eu amo Deus, Jesus Cristo, o pai eterno e único santo, acima de tudo! Eu acredito, sim, em mensagens subliminares. Mas acontece que também existem coincidências!
Então quer dizer que não pode ter coruja em lugar nenhum só por causa de um simbolo que, pessoalmente, não me diz nada? Eu AMO corujas assim como eu amo todos os outros animais desse planeta. Justamente por que foi Deus quem criou!
Enfim... Estou só descontando a raiva que uma pessoa me passou!
-Beijos, Amo vocês!! Fiquem com Deus!!! ;*

Episódio 14 (1 de 3 - Fim de temporada):

O gigante era realmente horrível visto de perto. Não que alguém ligasse muito para isso. Mas era amedrontador, principalmente quando se via todos aqueles machados que ele carregava presos à sua cintura.

-Espíritos, encarnados, bruxas, auras... – Começou a dizer Micka, bem baixinho, entre soluços. – E agora, ainda por cima, gigantes?
-Não é um gigante! – Afirmou Paul, sentado no chão ao lado da jovem, possuindo o mesmo tom de voz do da moça. – É um espírito mercenário.
-Espírito o que?
-Espírito mercenário. – Repetiu. – São espíritos daqueles que de tudo tiveram enquanto estiveram vivos, mas nunca vivenciaram um verdadeiro amor. Como um meio de fuga, esses espíritos tentam encher seu coração com coisas materiais e outras baboseiras. Mas a verdade é que nunca se satisfazem...
-Um verdadeiro amor...
-É triste admitir, mas o número dessas criaturas cresce cada vez mais...
Micka não consegue resistir. Ela espia o gigante, desta vez, com pena. Ela consegue imaginar o que é viver sem amor. Viver sem o calor do colo de uma mãe, sem o aconchego no braço dos pais. Sem beijos. Sem aqueles deliciosos arrepios na nuca toda vez que seus lábios se encontram.
Ela consegue imaginar como seria uma vida sem esperanças...
Uma vida sem cor, sem calor, sem toques.
Como resultado, uma frágil e gélida lágrima escorre por um de seus olhos.
-Quando você diz...
-Não Micka... – Ele morde fraco o lábio inferior assim que sente a agonia da menina. – Nenhum tipo de amor.
-Mas... Não é possível, Paul! Eles não têm...
-A maioria é abandonada pela família ainda bebê ou durante a infância. Quando não isso, eles simplesmente são explorados por elas. E isso cria não só um trauma no mundo dos humanos. – Ele encara a face gélida do chão de pedra por um momento. – O espírito também fica marcado... É uma cicatriz que permanece para sempre...
-Isso é... Horrível! – Sem conseguir se segurar, o rosto da jovem já estava completamente encharcado por causa das inúmeras lágrimas que agora deslizavam por ele até o seu queixo, onde se soltavam para testar a força da gravidade.
-Você está chorando? Hm, isso não é bom...
-E... Por que não?
-Ninguém chora por espíritos como... Este... – Ele apontou com o nariz para Occino, fazendo cara de nojo. – A menos que o tivessem conhecido durante a vida.
-Então quer dizer que...
* * *
-Não será assim tão fácil, otário! – Gritou a dama das aranhas, transformando-se em uma espécie de areia negra e se materializando novamente do outro lado da sala.
-Ou será que vai? – Retrucou, estalando os dedos.
Foi nesse momento que um grande tigre branco saltou em cima da bruxa, que caiu no chão.
-Conheça meu novo companheiro! – Ele a encarou enfurecidamente, enquanto ela se debatia no chão.
-Maldito! Eu vou te matar! Você vai...
-Cale-se! Sabes muito bem que auras brancas neutralizam a magia. Sua tentativa de fuga é inútil. Agora, diga: Onde estão os escolhidos?
Um grito encheu a atmosfera no minuto em que o tigre rugiu. Parada, entre a sala dos móveis e a escada, estava uma jovem de cabelos lisos que carregava um cachorro no colo. Parecia estar desperta há pouco tempo, mas estava bastante atenta a tudo.
* * *
-Está se sentindo melhor? – Tie se sentou entre Inna e Paula, que acariciava a coruja, sentindo o arrepiante frio que era o chão daquele local. – Você foi arremessada no chão muitas vezes...
-Tie... – A garota de roupas sujas e rasgadas não parecia ter prestado atenção à pergunta do garoto. – Acha que sobreviveremos? Acha que temos alguma chance de ter uma vida normal outra vez?
-Eu acho que Deus sempre tende a nos dar presentes brilhantes em caixas amassadas!
-Eu... Eu não entendi.
-Somos fortes, Inna! Mais fortes do que todos pensam...
Era incrível como Tie ainda tinha esperanças de um mundo melhor, pensava a jovem. Quer dizer, eles estavam presos em uma jaula para elefantes, sendo vigiados por um... Gigante... E, ainda por cima, sendo perseguidos por espíritos e outras criaturas que desejavam seus corpos desesperadamente. E, mesmo assim, Tie acreditava que conseguiria sorrir outra vez.
-Onde você encontra tanta felicidade assim?
-Do que você está falando?
-Olhe em sua volta, Tie! – Ordenou, fazendo ela mesma a ação. – Estamos aprisionados! Tie, quando aquela mulher voltar, todos nós morreremos. Você sabe disso, sabe que ela nos matará. E, no entanto, continua sorrindo como...
-O que você quer levar?
-Anh... Desculpe-me mas... Eu não entendi.
-Quando morrer, Inna, o que você quer levar com você? Os lindos momentos que todos nós tivemos juntos, ou a agonia que sentiu antes de morrer?
-Você...
-Eu não quero lembrar como foram meus últimos minutos de vida... Eu não quero lembrar o quanto eles me maltrataram antes de me matar de vez... Eu só quero lembrar, Inna, de vocês! De tudo que passamos, de todos os sorrisos, de todos os abraços...
-Eu não consigo pensar assim.
-Não tem que pensar... Tem que viver!
* * *
-Quem é você? – Perguntou o homem misterioso, ainda enfurecido.
-M...M...May... May Rich… Richard Crommwell.
-Crommwell? – E então o homem largou o facão, deixando cair e bater no chão, arranhando-o um pouco, esquecendo-se completamente da mulher que seu tigre branco prendia. – Você é a descendente das Crommwell?
-E...E... E você q...Q... Quem é?
* * *
-Por quanto tempo você vai continuar fingindo que não está acontecendo nada entre você e Riley? – Paul continuava sentado no mesmo local, ainda conversando com Micka, que agora apoiava sua cabeça no ombro do rapaz.
-Eu não sei o que está havendo... É só que... Eu não sei mas se sinto a mesma coisa que sentia uma semana atrás. Perdeu o sentido.
-Talvez nunca houvesse tido um sentido.
-O que?
-O amor é complicado, Micka. É muito contraditório. È a coisa mais leve do mundo, mas pode te criar um super peso na consciência. Quero dizer, amor que é amor, não se acaba.
-E como eu vou saber quando é “amor” de verdade?
-Você nunca vai saber. A não ser que sinta ele se desfazer. Se isso acontecer, pode ter certeza de que não passou de uma paixão prolongada pelo desejo de amar. Amor que é amor, é imortal. Infinito.
-Eu acho que o amor pode sim acabar!
-Ah, é mesmo? Então você esta querendo dizer que um dia Deus pode sumir?
-Não foi isso que eu disse!
-Micka, pense comigo: Se você acha que o amor verdadeiro pode acabar, está sugerindo que qualquer dia desses Deus pode desistir de nós! Está dizendo que Deus pode deixar de nos amar...
-Não! Eu sei que Deus não vai nos abandonar nunca! Se bem que... Poderíamos cuidar melhor das coisas que ele cria.
-Isso é verdade!
-GROOOOOOAAAAAAAAAAR! – Occino, neste momento, segurou com força um de seus machados e o chocou contra algumas grades de ferro da jaula.
* * *

Episódio 13 (Parte final):

* * *

-Já capturamos o metidinho e sua namorada, a mulher e sua sobrinha, o encarnado, os dois mensageiros, e a taradinha de namorado morto! - Sussurrou a dama das aranhas, apontando para uma enorme jaula para elefantes onde se encontravam Riley, Micka, Jennifer, Isa, Paul, Tie, Inna, Paula, Burnstein, e a coruja de Tie. - Bom trabalho... Mas ainda não está perfeito!

A sua frente, dois homens, sujos e de aparência cansada, recebiam as ordens com muita atenção. Deviam ter mais ou menos uns vinte e cinco anos, mas aparentavam ter uns quarenta.

Todos estavam em um enorme salão. Feito a base de pedras e ouro muito antigo. Grandes pilastras com hieróglifos se levantavam do chão e sustentavam o teto repleto de estalactites. A jaula estava posicionada bem no centro do salão, onde grandes círculos com milhares de imagens de mortes horríveis se encontravam espalhadas por todo o ele. A iluminação se resumia as várias dúzias de tochas, acesas, presas às paredes.

-Agora, - Continuou a mulher. - Chegou a segunda parte do plano: Matar a maldita bruxinha! Rápido. Se tivermos sorte, conseguiremos o espanhol como brinde!

-Entendido! – Sussurrou, impaciente, um dos homens. E então ele e seu colega, cujo corpo era infestado de cicatrizes, empurraram, juntos, uma grande pedra. Revelando, assim, a saída.

-NOS DEIXE SAIR!- Gritava Paul enfurecidamente, provocando maléficas gargalhadas de prazer na mulher. Suas veias, devido à força utilizada para tentar entortar as grades da jaula, estavam exageradamente visíveis.

-DEIXE MAY EM PAZ! – Completavam Micka e Tie.

-Ah, eu sei que me amam, mas terei que dar uma rápida saída! – E então se virou de costa para todos, passando a encarar a saída. – Occino, observe-os durante minha ausência!

-Groaaaaar! – gritou alguém.

-O que foi isso? – Sussurrou Inna, de dentro da grade.

E então apareceu, saltando sei lá de onde e aterrissando bem perto da grande jaula. Devia medir pelo menos três metros de altura, e pesar uns cento e cinqüenta e três quilos. Aparentava ser um homem. Usava uma calça jeans e um cinto, onde havia todo tipo de machado. Desde os mais afiados e amedrontadores até os mais simples e antigos. Seus olhos continham um vermelho intenso, e sua pele estava mal cuidada.

-Acha que consegue nos tirar daqui? – Sussurrou Tie para sua coruja enquanto Occino, o gigante, se aproximava.

-Se alguém tentar alguma gracinha, já sabe o que fazer! – Completou, e então se retirou do grande e antigo salão, deixando os heróis sozinhos com o gigante.

-Urrrr..

* * *

-Agora falta muito pouco... – Gritou a mulher das aranhas, rindo histérica e maleficamente.

-Não enquanto eu estiver aqui! – retrucou Alguém , enquanto cravava um facão enferrujado no peito da bruxa. – Morra sua desgraçada!

 

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